O mapeamento das referências culturais identificadas no bairro do Desterro, Centro Histórico de São Luís, Maranhão, foi um processo participativo que buscou mostrar a dinâmica de lugares, formas de expressão, celebrações e saberes espacializados.
Partes das referências têm localizações fixas. Outras se realizam em vários locais no bairro e podem variar durante o ano. Enquanto outras têm itinerários bem delineados. Ademais, existem referências que a cada nova edição alteram seus trajetos. As pessoas-patrimônio, por exemplo, não poderiam ser demarcadas nas suas casas; elas circulam pelo Desterro com um todo. Com efeito, os laços afetivos se espraiam por todo o bairro. Como mapear isso?
As dimensões afetivas e comunitárias no habitar não são totalmente capturáveis no mapa – mesmo que tentássemos mostrar a dinâmica e intercruzamento das referências culturais no bairro. No processo de mapeamento, os moradores iam apontando no mapa, recordando e comentando acontecimentos, situações e pessoas que, de diferentes maneiras, colaboraram com a dinamicidade da referência cultural em questão: alguém que fazia as roupas, instrumentos, que dava lanche, que gostava muito de participar, mas era falecida.. O mapeamento, nesse sentido, é mais um disparador de memórias. Um desafio é capturar essa trama toda, (in)visível.
Assim, no texto cultural que é o mapa, o bairro na vida dos seus habitantes é revelado num contexto espacial que agrega em seu cotidiano a festividade, a resistência e a sensibilidade na intensa composição cultural que é o Desterro.
