O que é?
Criado em 1993, pelo professor Marco Ximenes e pela professora Zélia Amador de Deus, então reitor e vice-reitora da UFPA, respectivamente, em conjunto da diretora do Núcleo de Arte da UFPA (atual Instituto de Ciências da Arte), Margareth Refkalefsky (Bittencourt, 2018). O objetivo era revitalizar o centro histórico de Belém por ocasião do Círio, proporcionando aos artistas o exercício do teatro de rua. Saindo tradicionalmente na sexta-feira que antecede o Círio (Azevedo, 2017 apud Bittencourt, 2018, p. 21). Entre os anos 1993 e 1995, as montagens e oficinas de Teatro foram dirigidas pelo teatrólogo Amir Haddad; de 1996 a 2008 o projeto foi coordenado e dirigido pelo professor Miguel Santa Brígida, que adicionou ao cortejo elementos da cultura popular associados à estética carnavalesca.
Em 2004, o evento foi reconhecido pelo IPHAN como bem imaterial associado ao Círio de Nazaré. Em 2009, Hudson Andrade realizou a direção cênica do evento. No ano de 2010, o professor Francisco Edilberto Moreira (Beto Benone) assumiu a direção e coordenação, com colaboração da professora Cláudia Suely dos Anjos Palheta, quando o Auto passou a integrar grupos quadrilheiros, pássaros juninos, carimbós, bumbás e carnavalescos. Em 2014, a direção cênica foi assumida pelo professor Adriano Furtado e coordenado pela professora Cláudia Palheta. Já em 2015, o professor Tarik Coelho ocupa a coordenação geral do projeto e a direção cênica passa a ser realizada pelo professor Jorge Torres. O ano de 2016 foi marcado pelo aniversário de 400 anos da fundação de Belém, quando o evento teve como tema “Belém de Nazaré, 400 anos de Fé”. Em 2017, a direção foi assumida por Cláudio Didimano.
No que tange o contexto cultural no qual se insere, “O Auto do Círio é compreendido como uma das grandes homenagens dos artistas à Virgem durante as festividades do Círio de Nazaré e um dos maiores eventos de Teatro de Rua do Brasil” (Bittencourt, 2018, p. 23).
Em relação aos habitantes da área inventariada, destaca-se a participação comunitária no elenco, equipe de produção e na plateia do cortejo e do show. Essa participação em várias frentes tem impacto na celebração das tradições culturais ligadas à religiosidade do Círio e à ampliação deste como patrimônio cultural da região. Impacta também a esfera econômica positivamente, já que os moradores do entorno atuam como vendedores ambulantes oferecendo alimentos e bebidas estimulados pelos visitantes e turistas que frequentam a festividade. Outro impacto positivo é a cooperação entre agentes do Estado, a comunidade local e Universidade Federal.