O que é?
Após a chegada dos colonos em Belém, houve a criação do forte militar português, em 1616, para garantir a proteção de possíveis invasores na terra onde os portugueses viriam a se firmar. Após esse momento, foi aberta a primeira rua de Belém, denominada como Rua do Norte, onde o caminho é direcionado até a Igreja do Carmo, quando chega ao seu fim. Situado às margens do rio, o Beco do Carmo é um dos caminhos importantes que conectam realidades marcantes do bairro da Cidade Velha. Próximo ao término dessa primeira rua, cujo nome atualmente é Siqueira Mendes, o beco tem o seu início, estando ao lado da Igreja do Carmo e terminando na Rua São Boaventura, às proximidades do Mercado do Porto do Sal.
O caminho que hoje é compreendido como Beco do Carmo tratava-se de uma parte da Rua São Boaventura, que antes começava no término da então Rua do Norte. Com o passar dos anos, as pessoas começaram a chamar essa parte de Beco do Carmo, nome que perdura até os dias atuais (VALENTE, 1993).
Na parte onde está situado o Largo do Carmo, vários combates foram realizados durante o período conflituoso que envolvia os cabanos e as tropas dos coronéis José Narciso e Manoel Pinto Gomes. Para Valente (1993), esse nome só foi concebido após a demolição da Igreja do Rosário dos Homens Brancos, na década de mil novecentos e dez.
O beco garante o acesso à passagem Porto Beiradão, onde a construção de casas em palafitas foram realizadas. Essa parte fortalece outras perspectivas relacionadas ao lugar e as dinâmicas existentes na cidade. Apesar dos desafios de quem vive nessas moradias, a presença de figuras importantes para a comunidade é acentuada, como o Seu Bené, trabalhador que vive em uma das residências construídas sob as palafitas.
Intermédio de pessoas que frequentemente precisam se deslocar pelo bairro, o beco é o caminho que expressa uma maior vivência para os trabalhadores e moradores do beco, como o Manuel Tavares. Com as palavras do próprio, é pontuado: “Eu moro descendo a ladeira, no prédio de três andares. Eu ando todo dia, né! […] Eu acho de boa, até”. Assim como em outros momentos, principalmente durante as entrevistas realizadas, é verificado haver tranquilidade, transmitido através da boas vivências que as pessoas têm com as outras. No entanto, o beco nem sempre possuiu essa característica, já que, durante anos, os conflitos relacionados a criminalidade aconteciam com frequência.