Carpintaria Naval
Onde está?
Porto e Posto Vasconcelos. Beco Do Carmo, 73, Cidade Velha, 66020-140, Belém-PA.
O que é?
A carpintaria naval é uma atividade típica da cultura ribeirinha da Amazônia, visto as condições naturais favoráveis à circulação fluvial e à extração de madeira. O acúmulo técnico, reproduzido predominantemente por via oral, deu-se por gerações de nativos antes da colonização europeia, mas foi intensificado pelo contato entre as duas culturas de navegadores. Desse modo, surgem os primeiros estaleiros e oficinas na região, em uma economia de grande escala que envolvia “Armadores, carpinteiros, calafates, construtores de velame e cordoaria; agentes da navegação comercial, pesca, logística, operação portuária, reparação de barcos, produção de peças e afins” (Silva, 2021; p. 274).
A transmissão oral entre gerações do saber-fazer embarcações é abordada por Gualberto (2013) como uma “Cultura de Conversa” no estaleiro analisado por ele na cidade de Vigia, onde o mestre repassa seus conhecimentos ao aprendiz de maneira informal. A origem deste tipo de barco remonta ao século XVIII na Amazônia e é denominado pelo autor de “mestiço”, por ser produto da fusão entre as técnicas de construção naval portuguesa e Tupi: o Padre Jesuíta João Daniel instruiu aos colonizadores e nativos a concepção de uma nova forma de construir embarcações “aos moldes europeus, ou seja, utilizando tábuas na confecção de um barco, em vez de utilizar o ‘modo antigo’, como assim o dizia, feito de tronco inteiriço” (Gualberto, 2013; p. 3)
No Mercado do Porto do Sal, em Belém, a carpintaria naval desempenha um papel fundamental no projeto “Mastarel”, ao representar um conhecimento tradicional e ancestral, sendo transmitido de geração em geração. Mestre João, um experiente carpinteiro naval, é o responsável pela construção do mastro que dá nome ao projeto. Sua experiência e habilidades em carpintaria naval são essenciais para a criação e instalação do Mastarel, que se torna um símbolo da cultura ribeirinha amazônica (Arruda, 2019, p. 21).
Além disso, a carpintaria naval é valorizada no projeto como uma forma de preservar e dar visibilidade a uma arte que está em risco de desaparecer. Mestre João expressa preocupação com a falta de aprendizes e a escassez de pessoas interessadas em aprender essa arte tradicional: “É uma arte que pessoas como eu já tá ficando poucas né? O pessoal não está aprendendo mais a carpintaria naval, aí vai ficando difícil. A gente já não tem mais os aprendizes. Só tá hoje os veteranos. Está diminuindo e é um troço que lá na frente vai fazer falta.” (Arruda, 2019, p. 41)
Voltar para o topo