Culinária Típica Paraense
Onde está?
Endereço ou descrição de onde acontece a prática cultural. O conteúdo deste item subsidia a elaboração da cartografia das referências culturais.
O que é?
A culinária paraense associa-se à produção gastronômica do Norte do Brasil, especialmente dos estados Pará e Amazonas. Em Belém, refere-se às comidas típicas encontradas no cotidiano e em eventos formais e informais. É influenciada pela cultura indígena e africana diaspórica que agregam ingredientes, modos de prepara, usos e costumes transformados ao longo do tempo (Guazzelli, 2023). Dentre os pratos considerados representativos da culinária paraense, então: Maniçoba, Pato no Tucupi, Tacacá, Caruru, Arroz Paraense e sobremesas com frutas amazônicas, tais como açaí, cupuaçu, bacuri, pupunha, camapu, taperebá, etc. Os pratos apresentam ingredientes que se repetem, por exemplo: Pato no Tucupi, Tacacá e Arroz Paraense têm jambu, tucupi e pimenta-de-cheiro. O jambu é uma erva típica da região Norte, possui propriedades medicinais (como fortificante, anti-inflamatório, anestésico e estimulante). “O conhecimento tradicional do jambu afirma que ele é. Tem larga utilização nas receitas da culinária paraense e ocupa grande espaço no imaginário popular” (Guazzelli, 2023, p.330).
Outro elemento representativo da culinária paraense é o açaí. Alimento essencial na cultura alimentar regional, é consumido cotidianamente pelas populações ribeirinhas, indígenas e periféricas. O processo produtivo do açaí inclui o plantio, distribuição, beneficiamento, manufatura das máquinas de beneficiamento, comercialização. Esse processo incorpora práticas artesanais e, atualmente, industriais. De acordo com Guazzelli (2023):
A produção do suco do açaí se dá por meio de um processo de trabalho que ainda hoje mantém certas características artesanais, as quais, ao longo do tempo, têm sido acompanhadas por mudanças na transformação do fruto em suco, adquirindo uma nova lógica de mercado e de trabalho, de modo a se distanciar cada vez mais de procedimentos artesanais, tornando-se um alimento industrializado, onde o fruto é “branqueado”, pasteurizado, embalado e exportado para outros países e Estados do Brasil (Guazzelli, 2023, p. 334-336).
A mandioca, por sua vez, está presente desde o cultivo milenar indígena, sendo considerada fundamental à segurança alimentar da região por conta dos vários tipos de preparo e pelos ingredientes extraídos a partir dela, como o tucupi (Guazzelli, 2023). A extração se dá com uso do tipiti, instrumento indígena comumente encontrado nos pontos comerciais de Belém, especialmente no Ver-o-Peso. Maniva, folha da mandioca triturada, é base à preparação da Maniçoba. Há também à tapioca, cuja farinha é feita a partir da fécula de mandioca.
A expressividade desses elementos é observada pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), que em 2024 os incluiu na cesta básica brasileira — respeitando as variedades regionais. Destaca-se a lista de frutas amazônicas sugeridas pela instituição: abiu, açaí, bacaba, bacuri, biribá, buriti, cacau, cupuaçu, graviola, guaraná, jambo e manga, muruci, pupunha, taperebá, tucumã e umari.
Os elementos da culinária amazônica estão presentes também em manifestações culturais ligadas à música produzida na região.
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