O que é?
Graça Serrão, de 65 anos, trabalha com vendas no Mercado do Porto do Sal há 25 anos. A sua prática é direcionada tanto aos moradores, quanto àqueles sujeitos que vêm nas embarcações para o mercado, por meio dos portos. Mas considera que a frequência de compradores é do bairro da Cidade Velha, no Centro Histórico de Belém. Essa frequência - por mais que não seja intensa como antigamente - ganhou uma outra dimensão, à medida em que o espaço foi, no decorrer dos anos, diversificando os produtos que poderiam ser comprados. “Aqui na Cidade Velha, se você quiser comprar uma fruta, um tomate, uma batata, você vai no Ver-o-Peso, Líder, ou Estrada Nova [...] de ponto de venda sou só eu”. Antes moradora do bairro do Reduto, em Belém, Graça não tinha uma relação afetuosa com o bairro da Cidade Velha, mas diz ter mudado. Essa mudança acompanhou a importância também das relações sociais expressas a partir da atividade de comércio no Mercado do Porto do Sal.
Entre as referências culturais de lugares importantes considerados por Dona Graça, estão espaços como as Igrejas, o Palacete Pinho e o Palmeiraço. No entanto, afirma que a definição de lugar está relacionada ao Mercado do Porto do Sal, justamente pelo espaço mediar as relações de sobrevivência da família. “Olha, da Cidade Velha, eu gosto de vários locais, mas eu gosto aqui do mercado, que é o meu trabalho. Eu gosto dele”. A importância do espaço também caminha para Graça considerar alguns pontos sobre o Centro Histórico de Belém. Sobre dizer se acha o Centro Histórico importante, a trabalhadora considera que o bairro é o que tem mais “ponto histórico” e que, portanto, a preservação da cidade de Belém deve caminhar para a preservação de espaços com a Praça da Sé, já que, segundo Graça, esses espaços também são frequentados por diversos grupos. Sobre o que é patrimônio, a trabalhadora cita tanto o Mercado do Porto do Sal, quanto as igrejas, a dizer: Igreja de Santo Alexandre, Igreja de São Joãozinho, Igreja do Carmo, Catedral da Sé etc. E enfatiza que também é importante analisar os “mais antigos” como patrimônio vivo.