Elaine Arruda
Onde está?
Bairro da Cidade Velha, Belém-PA.
O que é?
Elaine Arruda é artista visual, pesquisadora e professora do curso de Artes Visuais da Universidade Federal do Pará (FAV/UFPA). Nascida em Belém do Pará, com 39 anos, sua produção artística circula entre a gravura, instalação e projetos de arte pública. Atua no espaço do Porto do Sal desde o ano de 2009, sendo fundadora dos coletivos Atelier do Porto (Galeria de arte em Belém voltado para a produção e difusão da produção artística contemporânea do Estado do Pará) e Aparelho.
De início, Elaine conta que começou a frequentar o Porto do Sal e o próprio mercado devido à uma busca de ajuda para a produção e impressão de suas gravuras em metal, trabalho que ela estava desenvolvendo na época. Após isso, ela explica: “[...] foi aí que eu cheguei na metalúrgica Santa Terezinha, que fica quase na frente do mercado. E aí, lá com o Seu Chico, que era o dono da metalúrgica, que se tornou um grande amigo. [...] Então eu comecei a construir uma rede de amizade com os trabalhadores do Porto, os operários que trabalhavam na metalúrgica e almoçavam no mercado. Aí eu comecei também a ir pro mercado já com esse suporte de pessoas que conhecem o lugar”.
Foi ao longo dessa vivência com o cotidiano do lugar que o interesse da Elaine em ocupar e realizar projetos no mercado começou a surgir, também após realizar exposições na metalúrgica para as pessoas com que ela conviveu, como uma forma de retribuir e demonstrar esse afeto com o espaço do porto e com a comunidade.
Após esses processos, surge a ideia de “mastrear” o Mercado do Porto do Sal, que segundo Elaine: “seria uma forma de mostrar, pra visibilizar pra todo mundo, não somente para as pessoas da comunidade, mas pra quem não é de lá e olhava com esse olhar exotizado, esse olhar de que lá é um lugar de vulnerabilidade, de risco, de tráfico. O que eu não estou negando que também exista, mas acho que não é só isso”. Assim, após a aprovação do projeto no edital da Fundação Doutoral do Pará, iniciou-se no ano de 2016, com a parceria do Mestre João, o Mastarel.
Por fim, Elaine reconhece a visibilidade e o fortalecimento da cultura local que suas obras artísticas e projetos, como o Mastarel, trouxeram para o lugar, para a comunidade e também para o Mercado do Porto do Sal, concluindo: “Porque hoje eu vejo o Mastarel como um projeto de arte pública, ele é muito mais do que um site specific. Ele realmente é um agenciador de processos que acontecem ali, tanto que ele apareceu no inventário, na fala das pessoas. [...] E a circulação mesmo, o reconhecimento do território por toda a cidade, enfim, que passa a ver aquele lugar como um lugar de arte, um lugar de cultura, não um lugar de risco [...] inclusive agora eu vejo várias pessoas querendo fazer coisas no porto, o que eu acho ótimo. super bem vindo para a comunidade, acho que eles precisam sim de investimento, infraestrutura”.
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