Mercado do Porto do Sal
Onde está?
Rua São Boaventura — Cidade Velha, Belém-PA, 66020-550.
O que é?
O Porto do Sal na Cidade Velha, localizado às margens do rio Guamá, foi um importante ponto de comercialização de especiarias amazônicas. Em 1933 criou-se o Mercado do Porto do Sal, para servir como central de abastecimento e escoamento de produção vinda da região das ilhas. O porto recebeu esse nome, pois se desembarcava no local o sal que abastecia a Amazônia e que vinha de possessões inglesas transportado por caravelas. Ainda na década de 1930, o então Capitão Magalhães Barata determinou que um Mercado e Feira padrão fossem construídos no Porto do Sal, pois ali só haviam duas construções, o porto de trapiche para atracação dos navios e uma saboaria, o resto era um grande aningal. Com o tempo, a área do porto sofreu a ação da ocupação desordenada de moradias e atualmente, poucas embarcações ainda atracam no local.
Construído no governo de Magalhães Barata, o projeto é de Ricardo Schimandek, um engenheiro de ascendência alemã que se encontrava em Belém nas primeiras décadas do século XX. Possui estrutura de concreto armado, material ainda escasso na Belém da década de trinta. Sua fachada, de traços mouriscos, revela um caráter singular em relação aos demais mercados da cidade. Desdê sua criação, o Mercado do Porto do Sal faz parte de uma rede comercial e hidroviária localizada entre a extensão do Beco do Carmo e a Rua São Boaventura, denominada de Porto do Sal. O Porto em si já não existe mais, haja vista que foi diluído durante as transformações sociais e políticas que interferiram neste espaço.
Segundo Kunz (2017), a região do Porto do Sal é constituída “de uma cultura que mistura tanto aspectos ribeirinhos, aqueles típicos de um ambiente situado nas proximidades dos rios, como também de um grande centro urbano” (Kunz, 2017, p. 23). A artista visual Elaine Arruda, em colaboração com o mestre em carpintaria naval João Aires, realizou a primeira intervenção no Mercado do Sal em 2016, através da Bolsa de Pesquisa e Experimentação Artística do então IAP (Instituto de Artes do Pará).
No mercado atualmente ocorre a mastreação, que consiste em uma instalação naval sobre o telhado do Mercado: um mastro de barco com características típicas das embarcações amazônicas, em territorio urbano, ribeirinho e em pleno centro histórico da cidade.
No Mercado do Porto do Sal existe uma biblioteca literária que, segundo Dona Arlete, é uma referência cultural do mercado: “agora elas [Pamela e Débora, responsáveis pela biblioteca] estão sem tempo, mas ela já foi muito utilizada, as crianças se reuniam ali na frente ficavam lendo tinham aula de reforço pra comunidade”. Pâmela e Débora são responsáveis por executar as tarefas da biblioteca do mercado junto a comunidade que atualmente se encontra em baixa utilização por falta de apoio externo ao projeto.
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