Pâmela e Débora
Onde está?
Mercado do Porto do Sal, Bairro da Cidade Velha, Belém-PA.
O que é?
Pâmela, de 36 anos, compõe o groupo do Coletivo Aparelho desde 2015. À época, ainda estudante do curso de Direito, foi convidada por Elaine Arruda para fazer parte do projeto, inicialmente para assessorar nas questões burocráticas envolvidas na ocupação de projetos como esse no Mercado do Porto do Sal, no bairro da Cidade Velha, em Belém. Essa relação contribuiu para que o projeto tivesse um espaço reservado no mercado, oferecido pelo então coordenador. No primeiro momento, era destinado à guarda dos materiais usados nas oficinas do Coletivo Aparelho. Após debates entre os membros do coletivo para decidir a função do espaço reservado, é criada a Biblioteca do Porto e o espaço passa, então, a ter uma função educacional voltada à mediação de leitura com as crianças das proximidades.
Débora Oliveira, artista visual e mentora do Coletivo Aparelho, também atua no projeto desde a formação com períodos de afastamento e aproximação. Também a convite de Elaine Arruda, Débora inicia o contato com o Mercado do Porto do Sal a partir de projetos artísticos, como a grafitagem. “[...] eu, como artista de rua e como educadora [...] sempre via a educação como uma fonte essencial pra gente”. Débora considera a participação no projeto importante, principalmente, como um exercício de transformação social. Nesse sentido, a Biblioteca do Porto é, também, uma criação que media as relações das aristas, dos trabalhadores e dos moradores daquele pedaço da Cidade Velha. Enfatizando a burocracia comentada por Pâmela, Débora considera o desafio no processo de aquisição do espaço, já que o uso seria voltado à criação da Biblioteca do Porto e, portanto, a legislação não permitiria. Diante desse desafio, as artistas viram a necessidade em criar um dossiê para comprovar a realização das atividades no Mercado do Porto do Sal. Após diversos processos, o espaço foi adquirido e regularizado.
A relação do Coletivo Aparelho com os outros sujeitos dessa porção da Cidade Velha também é expressa a partir da parceria com a Igreja do Carmo, com o Fórum Landi e com projetos como o Fotoativa e o Projeto Circular. Essa relação com outros espaços e sujeitos configuram a Biblioteca do Porto como, também, um espaço de resistência, já que o projeto tem como sua essência a educação popular através da arte. “É uma biblioteca que elas vão pra lá pra desenhar e pra pintar, pra jogar, pra conversar [...] a leitura média a relação com a arte”. Por essa forte relação com a arte e a educação, as “Meninas da Biblioteca” destacam que as atividades na Biblioteca têm contribuído para o descobrimento de novos artistas em ambientes em que historicamente a criação artística não era valorizada. Além disso também é um local que agrega pessoas com diversidade de gênero e credo, garantindo por exemplo o acesso de pessoas LGBTQIA+ em uma área onde o cristianismo evangélico é fortemente presente.
Por fim, Pâmela e Débora, esclarecem que a relação com a área portuária estimula até mesmo o consumo de uma das principais comidas citadas durante a oficina de identificação de referências culturais. “[...] o açaí... ele é indispensável, principalmente com o pirarucu da Arlete [...] o pirarucu da Arlete ele já é tradição”. Também apontaram que o Mestre João, carpinteiro naval, é de fato patrimônio vivo no Mercado do Porto do Sal, devido a sua articulação e contribuição com os projetos que envolvem não apenas o mercado, mas também a comunidade.
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