O que é?
Localizada no bairro da Cidade Velha, às proximidades das principais construções que fortalecem a origem do bairro, como o Forte do Presépio, a Casa das Onze Janelas, o atual Museu de Arte Sacra e a Igreja da Sé, a praça Frei Caetano Brandão é um dos mais antigos espaços que marcam, através da toponímia, a figura católica na região, isso porque o seu nome referir-se a Dom Frei Caetano da Anunciação Brandão, o sexto bispo do Pará, entre os anos de 1783 e 1789. Para conhecer tal homenagem, torna-se necessário pontuar uma característica que explicita a atuação de Brandão através, principalmente, de sua comoção com os mais necessitados (Valente, 1993).
Inicialmente, a praça foi denominada como Largo da Matriz, por situar-se no mesmo local onde havia sido construída a igreja matriz dedicada a Nossa Senhora da Graça. Após, seu nome mudou para Largo da Sé, representando a relação com as dinâmicas impostas pela então Igreja da Sé. Além disso, chegou a se chamar de Praça das Armas, devido à proximidade com o Forte do Presépio.
A escultura de Brandão, localizada no centro da praça, foi realizada pelo artista italiano Dômenico de Angelis, composta por alumínio e bronze. No entanto, foi finalizada por Enrico Quattrini, em 1889, já que Dômenico havia morrido antes de concluir a obra. A praça integra o Conjunto Arquitetônico, Urbanístico e Paisagístico da Praça Frei Caetano Brandão, originado a partir das estratégias de requalificação urbana do Centro Histórico de Belém.
Sua relação com os moradores da área do Beco do Carmo ao Mercado do Porto do Sal se dá principalmente como ponto de encontro e de trabalho, expressos pela comercialização informal de produtos alimentícios, serviços do setor terciário, atividades recreativas e eventos culturais. A praça se apresenta como um espaço de lazer para as pessoas, justamente por estar situada em uma área rica em aspectos históricos e paisagísticos, próximo ao Forte do Presépio e a Baía do Guajará.
Mestre João, trabalhador no Mercado do Porto do Sal, pontua que costuma visitar a praça quando anoitece. “[…] Sempre a noite[…] Então, às vezes a gente tá com trabalho aqui em casa ou aqui no mercado [Do Porto do Sal] e, quando termina, sempre convida um, convida outro e a gente frequenta a Praça da Sé […] A comunidade tem essa relação com a praça […] Nós temos também moradores daqui que também vendem alimentos lá pra gente […]”, pontua o carpinteiro naval que frequentemente está no bairro.
Essa sociabilidade favorece a praça no sentido de criar relações que não necessariamente são individuais, mas coletivas, construídas a partir dos próprios moradores e trabalhadores. Não obstante, isso também pode ser verificado quando Dona Arlete, trabalhadora no Mercado do Porto do Sal, fala sobre a praça: “A gente fica apreciando o movimento […] Observar as pessoas passar , olhando a maré…”. Durante a conversa, ela ainda fortalece a sua preocupação com o espaço: “Só acho que a prefeitura tem que olhar um pouquinho que tá muito suja”.