O que é?
A Seresta do Carmo é uma das manifestações culturais que acontecia na Praça do Carmo, no Centro Histórico de Belém. Iniciou em 1983 quando Almir Gabriel era o prefeito (1983-1985). Contou, ainda, com o apoio do governo do estado, na figura de Jader Barbalho. Neste período, a seresta teve grande repercussão na cidade e fez muito sucesso. A praça do Carmo ficava tomada por famílias tanto de moradores do bairro, quanto de outros bairros de Belém. A festa acontecia todo último sábado de cada mês. Havia apresentação de atrações locais, onde se fomentava a cultura e a economia local. Entretanto, o sucessor de Almir Gabriel, Coutinho Jorge, não deu continuidade à festa e mais adiante, em 1993, o prefeito Hélio Gueiros promoveu uma reforma na praça que culminou na retirada dos coretos do centro da praça, com o intuito de se construir um anfiteatro. Além da exposição do sítio arqueológico da Igreja do Rosário dos Homens Brancos, ambos presentes na paisagem da praça até os dias atuais. A reforma foi muito contestada pela população e até mesmo pelo professor e escritor Benedito Nunes.
Em 1996, Edmilson Rodrigues foi eleito prefeito de Belém e recebeu da Associação de Moradores da Cidade Velha, a proposta para retomada da seresta. A professora Dra. Edilza Fontes era a presidente da Fundação Cultural do Município de Belém — FUMBEL e conduziu a discussão a respeito. A seresta retornou obedecendo, desta vez, uma agenda de preservação do patrimônio histórico e cultural, por meio de oficinas promovidas pela FUMBEL junto às associações de moradores, especialmente do bairro da Cidade Velha. A parceria se deu da seguinte forma: as associações se responsabilizaram pelas barracas e a prefeitura era a responsável pelo pagamento das estruturas de som e dos músicos. A seresta voltou, mas não durou muito tempo, em decorrência de problemas estruturais que acabaram por repelir a população ao invés de atrair.
As primeiras Serestas foram um sucesso, mas o modelo se esgotou. Este tipo de evento se esgota pelo número de pessoas que vão à praça, e assim o evento perde o objetivo de enraizamento no Bairro, no momento em que grande parte da cidade vai ao evento e a praça não tem sustentabilidade para receber o público. Tivemos problemas de estacionamento, o aumento de roubos e assaltos, o número de banheiros químicos nunca era suficiente, a iluminação pública não foi refeita, o policiamento não era feito corretamente, o entorno da praça não tinha número de bares e restaurantes que atendessem todo o público. Partimos assim para o segundo momento do evento que seria fazer um circuito cultural em vários bairros de Belém. Realizamos na Praça do Conjunto Mendara, em uma Praça do Jurunas e outra na Cremação. O problema maior continuava o da segurança, pois não tínhamos a parceria do governo do Estado. (Blog da Professoras Edilza Fontes)
Atualmente a festa da Seresta do Carmo não acontece mais. No entanto, percebe-se uma comoção por parte da população local tanto pela questão histórica e afetiva envolvida, quanto em relação ao desejo de que a festa volte a acontecer na praça. Como relatou o morador da Malvinas (Beco do Carmo) Alex Damião:
É, Diego, para começar, quando eu me entendo o que eu vim para cá para Cidade Velha, tínhamos algumas coisas muito legais: tínhamos o carnaval, tínhamos algum entretenimento aí como a Seresta do Carmo, tínhamos o choro, o chorinho aí na praça do Carmo. E eu acho que isso aí é muito importante, culturalmente, que é para não deixar acabar essa essa parte de, tipo assim, musical que eu acho muito legal. Já teve teatro, tá?! Eu acho que é muito importante que volte a Seresta do Carmo por causa que apesar da parte cultural, temos a parte de trabalho. Temos muitos trabalhadores aí, é informal que dependem também de certa forma, dependem disso para tocar as suas vidas. Mas a Seresta do Carmo nos faz muita falta, sim. E eu gostaria muito que voltasse.