O que é?
A pesca é uma atividade de subsistência chave para a cultura ribeirinha amazônica, influenciando muitas das manifestações e referências levantadas. Os instrumentos utilizados pelo pescador, como a rede de pesca, têm sido alvo de investigação desde a década de 40, sendo sistematizados por Nery (1995, p. 199 a 293) em publicação do Museu Goeldi, a partir da Zona Costeira Paraense.
Para o autor, o registro desta instrumentália é relevante por: (1) ressaltar a capacidade criativa do artesão, que normalmente é o próprio pescador, mesmo quando trabalha com fios industrializados (de náilon); e (2) reforçar a memória, como patrimônio cultural, desta atividade ameaçada pela abertura de estradas e destruição das matas de onde vêm os insumos, forçando o pescador a se inserir na economia de mercado (Nery, 1995, p. 201 e 202).
Nesse sentido, ressalta-se que as “malhadeiras”, feitas por “entralhamento”, com “boias e chumbadas”, eram tradicionalmente feitas a partir de matérias-primas locais, como diferentes tipos de cipós (como o titica), talas de palmeira e varas de mangueiro, mas são cada vez mais substituídos por panos de malhas sintéticas de fio polietileno, adquiridos em Belém (Nery, 1995, p. 202).
No Mercado do Porto do Sal e em seus arredores, sobretudo na orla do Centro Histórico de Belém, é possível observar inúmeros comércios que atendem a atividade pesqueira, bem como resquícios de atividades tradicionais como a tecelagem da rede de pesca. Assim como outrora, “resgatá-lo e divulgá-lo é tarefa que se torna útil (…) para o resgate das formas tradicionais de produção na área da pesca que servirá como contribuição à memória regional (…)” (Nery, 1995, p. 203).
A relação da produção de redes com os habitantes do Beco do Carmo ao Mercado do Porto do Sal se dá, sobretudo, pela característica ribeirinha da área. Expressa a tradição cultural da pesca enquanto atividade fundamental do trânsito entre as ilhas e a porção continental da cidade, bem como habilidade transmitida por gerações que representa parte da identidade cultural. As redes de pesca também são importantes para o fortalecimento econômico daqueles que desempenham esta atividade como fonte de renda, para interação com os recursos naturais locais, e para o entendimento dos hábitos característicos de regiões ribeirinhas circunscritas no urbano.