O que é?
A “beira do açude” refere-se às margens do reservatório de água do Açude Cedro diretamente vinculadas à Comunidade. Para os moradores representa um espaço de delimitação oscilante, já que se organiza a partir das variações do regime hídrico. Esse local agrega uma gama de atividades e apresenta especificidades por se tratar de ambiente que concentra trabalho e lazer, desde práticas agropecuárias e/ou da pesca, cacimbões de seca (poços) e banhos nas áreas de vazante.
A presença da água é um importante atrativo, especialmente em uma região onde sua escassez é comum (Maciel e Pontes, 2015). Em alguns anos do passado, formava-se o que chamavam de “prainha do açude”, com a instalação de barracas e bares improvisados. Segundo os moradores, essa prática foi proibida nos últimos anos, resistindo em suas memórias como algo relevante, relacionando-se com a existência do Bar da Mangueira.
O termo “beira do açude” foi citado principalmente pela íntima relação dos moradores com o lugar, por meio das memórias de práticas de lazer do passado ou da convivência atual relacionada às atividades produtivas (roçados, lavouras de vazante e terrenos de criação). Assim, ao longo do tempo, ocorreram diferentes usos desse lugar por meio da ação cotidiana da comunidade, como citado pela moradora Gabriela Pinheiro: “A beira do açude que a gente fala é onde fica a extremidade do açude, que fica localizado em frente a minha casa, e lá era um lugar onde eu e todas as minhas primas brincávamos, porque basicamente nascemos todas em época só, temos praticamente a mesma idade, então brincávamos basicamente todos os dias de tarde quando chegávamos da escola, fazíamos as tarefas de casa e íamos brincar no açude, aí brincava de futebol, carimba, pega pega”.
Através desse relato se percebe a estreita relação que pessoas da comunidade estabeleceram, desde a infância, com a beira do açude, unindo a tradição das brincadeiras com os usos e ofícios familiares, significativos para a memória coletiva.