O que é?
A Brincadeira de Casinha do Mato, também chamada pelos moradores de Casinha das Brincadeiras, fez parte dos divertimentos da infância das crianças do Cedro Novo. A brincadeira consistia em utilizar a vegetação típica da caatinga e as rochas existentes no local para construir refúgios da imaginação nas proximidades das casas dos moradores. A criançada construía abrigos que seguiam os moldes das casas em que moravam. Através dessa prática as crianças também reproduziam um saber geracional da arquitetura de taipa. Alguns relatos reportam-se apenas às furnas de pedra, indicando que as cabanas improvisadas podiam ser bem fugazes. A feitura da casinha era coletiva, integrando meninas e meninos na diversão. Estudos apontam este tipo de brincadeira como parte do modo de ser camponês (Sousa, 2024).
O fundo do quintal da casa de Fábio Pinheiro, por exemplo, era destino certo nas tardes após a escola. Gabriela Pinheiro relembra: “a gente chegava em casa toda suja de barro”. Essa prática ficou registrada através dos resquícios de construção observadas no Cedro Novo. Normalmente, a estrutura da casinha do mato recriava ludicamente o trabalho dos adultos, os costumes das famílias e a cultura da comunidade. Camilla Hoshimo (2018, s/p) afirma que o brincar de casinha é um convite universal da infância: “A construção da casa é também um espaço de espalhamento de si. Casas são lugares de acolhida de si próprio e do outro, territórios de vínculos e cuidado. É lugar de intimidade”.
A referência cultural Casinha do Mato apontou justamente para um forte vínculo telúrico da comunidade com as pedras e a caatinga. Se as Edificações “de brinquedo” não resistiram ao tempo, contudo, ao lembrar dessa prática, os adultos revivem a infância saudável e tranquila entre as rochas. Enfim, a brincadeira da casinha do mato pode ser definida enquanto uma forma de expressão lúdica e cultural que reflete a identidade, os saberes e os vínculos comunitários a partir das memórias de infância dos moradores do Cedro Novo.