Casa do Bairro
Onde está?
Rua da Palma, 415, bairro Desterro.
O que é?
A Casa do Bairro (Figura 18) é um equipamento social que oferece diversos serviços gratuitos nas áreas de assistência social, cultura, arte, lazer e saúde. Atende, especialmente, crianças, adolescentes e idosos do bairro Desterro e de outros bairros adjacentes. Fundada em 22 de janeiro de 2016, desde o ano de 2017 a Casa do Bairro é administrada pelo Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos, da Secretaria Municipal da Criança e Assistência Social (SEMCAS), que tem caráter socioassistencial e socioeducativo.
A Casa do Bairro é uma conquista coletiva de acesso a serviços básicos gratuitos, que oferece atividades culturais, artísticas e educacionais para crianças, adolescentes e idosos, nos turnos da manhã e tarde, alguns cursos de profissionalização com instituições parceiras esporádicos, e atendimento médico, com clínico geral, psicólogo e dentista em dias específicos.
Enquanto espaço de convivência que agrega saberes e práticas intergeracionais para a proteção, segurança e melhoria da qualidade de vida, a Casa do Bairro busca a consolidação de vínculos na socialização de valores relacionados à cidadania (com informação sobre direitos sociais; geração de renda; proteção à infância e a terceira idade; campanhas de combate aos preconceitos e violências; respeito e reconhecimento à diversidade étnico-racial, de gênero, religiosa e histórico-cultural; partilha de saberes e memórias identitárias e; promoção da saúde e bem-estar).
Segundo Ivan Madeira, funcionário da Casa do Bairro entre os anos de 2016 a 2023 e agente cultural ativo no Centro Histórico, por volta da década de 1960, o prédio onde está instalada a Casa do Bairro correspondia a um ponto renomado de meretrício no bairro do Desterro de propriedade particular - o bar “A Base da Loira”, como também aponta a pesquisa de Costa (2023).Com o declínio da atividade e o prédio desocupado, o imóvel abandonado passou a ser ocupado por usuários de drogas. A compra do imóvel foi realizada na gestão do prefeito João Castelo, em 2012, e o prédio foi reformado durante a gestão de Edivaldo de Holanda Braga Júnior, em 2015.
À época, a União de Moradores tomou a frente das negociações entre a Prefeitura e a comunidade local, para garantir um projeto que atendesse as necessidades relacionadas às vulnerabilidades e risco social da área, no combate à pobreza, ao trabalho infantil e à redução do índice de criminalidade. Disso, ocorreu a criação da Casa do Bairro com o apoio do extinto Ministério das Cidades, executado por meio do convênio entre a Prefeitura de São Luís e o IPHAN, mediado pela FUMPH, como uma das reformas do Programa de revitalização do Centro Histórico financiado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento - BID.
Na esquina da Avenida da Saúde com a Rua da Palma, a arquitetura da Casa do Bairro, do tipo bangalô, se destaca na paisagem do Centro Histórico e condiz com seu projeto fundador e com as relações afetivas do lugar: casa térrea com muretas baixas e janelões sempre abertos quando de seu funcionamento, à frente uma mangueira frondosa e centenária fazendo sombra em um vasto quintal com bancos convidativos. No seu interior, é possível encontrar água, café, banheiros, estrutura adequada e profissionais qualificados dispostos a ajudar quem precisa.
Com breves períodos de fechamento devido à pandemia Covid-2019, as atividades da Casa do Bairro foram totalmente suspensas entre agosto de 2021 e maio de 2023 devido às reformas no prédio. Nesse período, as atividades foram realocadas para o Parque do Bom Menino, no bairro Centro, uns vinte e cinco minutos de distância a pé da Casa do Bairro no Desterro, contudo, não houve adesão da comunidade do Desterro no novo endereço, resultando na ausência de atendimentos registrados durante os anos de 2020, 2021 e 2022.
A Casa do Bairro foi reinaugurada em 12 de setembro de 2023 e, atualmente, emprega 13 (treze) funcionários contratados pelo município: um efetivo, um supervisor, um coordenador, dois orientadores sociais, quatro oficineiros (músicos, educador físico, dois de artesanato), dois operacionais e dois do setor administrativo.
De acordo com Raelma Cássia Campos Barros Oliveira, coordenadora das atividades da Casa, desde a reabertura em 2023, estão inscritas como usuárias dos serviços da Casa do Bairro mais de 200 pessoas. Em 2025, participaram ativamente das atividades oferecidas cerca de 15 crianças de 3 a 5 anos de idade, 20 crianças de 7 a 12 anos e 32 idosas de 55 a 90 anos.Contudo, o número de pessoas que frequentam a Casa é mais variável, visto que as atividades não são compulsórias e algumas delas acabam atraindo um público maior, especialmente quando envolvem brindes ou atrações especiais, como ações comemorativas do Dia das Mães, do Bumba Meu Boi e da Cantata de Natal.
Quanto ao calendário das oficinas, as atividades são elaboradas mensalmente pela equipe local e enviadas à autorização da SEMCAS. A Casa do Bairro compra materiais com o apoio financeiro da SEMCAS e o lanche dos participantes é distribuído pelo Instituto Aliança que presta serviço à prefeitura.
“Não é totalmente como a gente gostaria, mas funciona muito bem. Hoje eu já vejo ela mais próxima do que a gente quer, interagindo com a comunidade”, afirma dona Sandra, que fazia parte da União de Moradores quando da criação da Casa do Bairro em 2015.
Em documento oficial, a instituição aponta que existem demandas a serem encaradas no “enfrentamento de situações de isolamento social, enfraquecimento ou rompimento de vínculos familiares e comunitários, situações discriminatórias e estigmatizantes” (Casa do Bairro, 2023, s/p).
Pinheiro (2020), numa pesquisa sobre designer e patrimônio cultural do Desterro, entrevistou 32 senhoras que frequentavam a Casa do Bairro, destas, 2 (duas) residentes no Desterro e mais 2 (duas) que viveram no Desterro por muitos anos, mas se mudaram e ainda preservam vínculos afetivos com o bairro. As demais senhoras moravam em bairros distintos da cidade, “e admitiram manter a frequência apenas porque frequentavam a Casa do Bairro apenas por se sentirem bem acolhidas e porque sua participação nas atividades se dava de forma gratuita” (Pinheiro, 2020, p.93). Percebemos que esse perfil ainda se mantém.
A Casa do Bairro foi parceira do Núcleo São Luís em diversas atividades desenvolvidas. O acolhimento é um diferencial nesse lugar que constitui um relevante centro de apoio socioeducativo conquistado pelos moradores do Desterro, como foco voltado à assistência diante da vulnerabilidade socioeconômica do entorno.
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