O que é?
No Desterro, o grupo de Bumba Meu Boi Lendas e Magias (Figura 28) é uma referência cultural que compreende um ciclo festivo que, assim como os demais Bois, pode ser dividido em quatro etapas: ensaios, benção do Boi, apresentações públicas ou brincadas e a morte (do Boi). Este conjunto de etapas tem características específicas que dão conta de celebração cultural marcante no Desterro.
O Lendas, fundado no ano de 2009, configura-se como um Boi de sotaque de orquestra, organizado por José Valdecir da Costa Monteiro (conhecido por Val), Luís Carlos Almeida, Sandra Maria Fernandes (Dona Sandra) e Maria de Jesus Almeida (a Dijé). Desde então, estas pessoas se alternam entre as funções de presidente, vice-presidente, secretário e tesoureiro, bem como se envolvem em outras atividades do Boi.
Atualmente, o Lendas e Magias é formado por aproximadamente 120 integrantes, composto por corpo de baile (cerca de 100 pessoas: 56 índias, sendo estas 40 índias do batalhão, 12 índias de destaque e 4 índias guerreiras; 12 índios; 1 Catirina; 1 pai Francisco; 2 miolos de boi; 40 vaqueiros campeador e 12 vaqueiros de fita) e a banda (cerca de 22 músicos, 3 interpretes, 3 cordas, violão, baixo e banjo, 5 sopros, trompetes, trombone e saxofone, 10 percussões, pandeirões, zabumba, tarol, carrilhão, ganzás e cowbell), além da diretoria (12 pessoas, contando com os fundadores). As idades dos integrantes variam de um pequeno número de crianças (de 3, 7, 8 e 9 anos), até uma vaqueira de fita de 63 anos. A faixa etária predominante do grupo é de 20 a 35 anos, com mais integrantes mulheres do que homens.
Sobre o processo histórico que envolve a fundação desse Boi, compreendemos: Val e Luís passaram a frequentar o bairro do Desterro por ocasião da abertura de um negócio que administraram durante dez anos na Rua da Estrela, uma boate noturna para o público LGBTQIAPN+. Natural de Fortaleza, Val veio para o Maranhão em 1989 e do Ceará trouxe consigo a experiência cultural das quadrilhas juninas. No Maranhão, Val se encantou pelo Bumba Meu Boi e começou a aprender desta cultura assistindo outros batalhões e estudando a história dos sotaques de Boi. Morou no bairro de Fátima por três anos e depois foi morar no Desterro, onde abriu o negócio com o sócio, Luís. Já Luís, maranhense, morador do bairro Angelim, já tinha experiência com o Bumba Meu Boi, inclusive saindo como índio no Boi de São Cristóvão por dois anos e trabalhando como artesão para outros batalhões. Com o Desterro já mantinha contato por ser integrante da Escola Flor do Samba (desfilou em alas dos anos 1995 a 2020 e, em grande parte desse período, acumulou a função de segundo carnavalesco). Sandra e Dijé (fichas deste dossiê), moradoras antigas do Desterro, aceitaram o convite de Val e Luís: “eu fui pedir ajuda para elas, unimos forças e fundamos o Boi no começo de 2009”, relembra Val.
Inspirado pela paisagem do Centro Histórico, Val sentia que já tinha vivido por ali, tamanha a familiaridade que sentia ao percorrer as ruas e, a cada casarão que observava, ficava a imaginar suas histórias. Com o tempo passou a ouvir e estudar sobre as lendas que compõem o Centro, como as lendas de Ana Jansen e da serpente subterrânea que sustenta as terras ludovicenses. Da escolha do nome do Boi, várias foram as sugestões entre os integrantes do núcleo inicial, e Val indicou “Lendas e Magias”, esclarecendo que o tal contexto misterioso que envolve o Centro Histórico alimenta a imaginação e a criatividade das várias culturas maranhenses.
No início, os fundadores “colocavam dinheiro do próprio bolso” para organizar a manifestação cultural: “fazíamos rifa, bingo, pedíamos daqui e dali [...], o restaurante Porto Seguro nos ajudava muito, e até hoje! Eu posso dizer que ela [dona Didica, proprietária do Porto Seguro] foi uma fundadora, ela não fez parte do processo diretamente, mas ela foi fundadora porque sempre ajudou financeiramente e sempre estava ali nos ensaios incentivando com palavras”, afirmou o atual presidente.
No primeiro ano, em 2009, o Boi Lendas e Magias saiu com 40 integrantes. “No primeiro ano, eu tinha que ir na casa das meninas aqui do Desterro pedir para as mães deixarem e oferecer um curso ou alguma coisa que despertasse o interesse delas para sair no Boi. E, com ajuda de alguns órgãos públicos, nós conseguimos uns cursos. No começo as pessoas não acreditavam que iria dar certo, porque no Centro Histórico não tinha Boi”, esclareceu Val. O Boi foi registrado oficialmente no seu terceiro ano de atividades, em 2012.
Além dos quatro membros fundadores, compõem a diretoria Luccas Neto, responsável pelo núcleo musical desde 2012 e Flávia Ferreira Almeida, responsável pela coreografia desde 2024 - ambos participantes também da escola de carnaval Flor do Samba, cumprindo as mesmas funções
Val comenta que a estratégia de apresentação adotada pelo Lendas e Magias é manter grande parte das músicas dos anos anteriores e apresentar a cada temporada no máximo duas músicas novas coreografadas, o que favorece o reconhecimento do público. As apresentações nos arraiais de São João costumam durar uma hora, com cerca de 12 músicas no total.
O Bumba meu Boi movimenta a comunidade e admiradores através de um ciclo festivo que envolve diversas etapas: (i) seletivas de novos integrantes; (ii) ensaios técnicos e ensaios gerais, inclusive ensaios itinerantes com a apresentação de outros Bois convidados; (iii) benção do Boi; (iv) apresentações; (v) morte do Boi. No caso do Lendas e Magias, a morte do Boi foi realizada como pagamento de promessas durante 10 anos, de 2009 a 2019, todavia, devido ao alto custo financeiro envolvido para a realização desta etapa, o Lendas e Magias não realiza mais a morte do Boi - assim como outros batalhões de orquestra, comenta Val, apesar de reconhecer que é um ritual importante na história dessa tradição cultural.
O ciclo festivo inicia, normalmente, após o carnaval, por meio da seletiva de novos integrantes. A seletiva é divulgada nas redes sociais e costuma acontecer em alguns finais de semana na Praça Flor do Samba. Após preencher a ficha de inscrição com dados básicos, os candidatos dançam as toadas do Lendas e Magias seguindo os passos dos integrantes mais antigos. A avaliação é feita pela diretoria, que, posteriormente, comunica publicamente em suas redes sociais os candidatos que foram aprovados para compor o batalhão. Vários dos candidatos quando aprovados mencionam que dançar no Boi do Desterro é um sonho realizado, afirma Val, com orgulho.
Na seletiva de 2024, por exemplo, foram 79 pessoas inscritas para dançar no Lendas, vindas de diferentes bairros e municípios da Ilha. Um número recorde que expressa, de acordo com os fundadores, o reconhecimento do trabalho de anos. Na seletiva de 2025, por sua vez, foram tantos inscritos em apenas um sábado que a diretoria optou por não estender as inscrições por mais tempo, como fizeram em anos anteriores.
Após o término das seletivas, iniciam-se os ensaios técnicos. Primeiro são os ensaios dirigidos especialmente para ensaiar as coreografias dos personagens índias e os índios, os vaqueiros e o miolo do Boi, que ocorrem às segundas, quartas e sextas-feiras. Posteriormente, os ensaios gerais agregam todos os integrantes do grupo, incluindo os músicos que compõem a orquestra do Lendas e Magias, realizados no sábado à tarde.
Essa etapa dos ensaios também compreende os “itinerantes” que funcionam com uma lógica de permuta entre os batalhões: um Boi convida outros Bois para se apresentarem em seu território (sem cachê ou ajuda de custo) e, na sequência, o Boi que fez o convite se apresenta nos territórios dos Bois convidados (igualmente sem cachê ou ajuda de custo). Os ensaios itinerantes são um momento muito esperado, pois trata-se de um preparativo para o São João - que já dimensiona um público considerável a assistir as apresentações dos vários batalhões noite adentro e aquecer a economia local com a venda de bebidas, alimentos e artesanatos. Os ensaios itinerantes costumam ter apoio financeiro de patrocinadores. No caso do Lendas e Magias, este recebe apoio de empreendimentos locais do Desterro, de empreendimentos de outros bairros e de políticos (vereador, deputado estadual e deputada federal), os quais são sempre mencionados publicamente durante as festividades.
Além dos ensaios técnicos e gerais, os brincantes também estão envolvidos no processo de produção artesanal das vestimentas e dos adereços (ficha Formas de Expressão deste dossiê) característicos de cada personagem. Com todos os integrantes ensaiados e já tendo produzido as indumentárias para aquela temporada, o batalhão se prepara para a terceira etapa do ciclo festivo, considerada fundamental e sagrada, sempre realizada no início de junho: a benção do Boi. O presidente Val acentua que realiza a cerimônia de acordo com os fundamentos da Igreja Católica - disso não ser correto o termo “batismo do Boi”, termo recorrente na cultura maranhense acerca desse ritual, mas sim benção do Boi, em que os brincantes e os participantes recebem uma benção para que as festividades ocorram bem naquela temporada. Por anos, a celebração da bênção do Boi ocorreu no interior da Igreja do Desterro. Entretanto, devido ao templo se tratar de um patrimônio cultural material protegido pelo IPHAN, enquanto um dos mais antigos de São Luís, indicou-se que para preservação das obras sacras não se realizasse mais a benção do Boi ali.
Val se recorda com carinho da época em que a benção se dava no interior da Igreja, quando o Boi saía em cortejo, descendo as escadarias e se apresentava na Praça da Flor do Samba, que já estava preparada e com grande público aguardando a primeira apresentação oficial da temporada, com indumentárias novas e ao menos uma toada e coreografia especialmente preparadas para aquele ano: “Era muito lindo ver o batalhão saindo da Igreja e descendo as escadarias”.
Atualmente, a benção do Boi Lendas e Magias se dá na praça da Flor do Samba, com a presença de um celebrante da igreja, que benze o batalhão com água e reza à proteção da temporada no São João. Prepara-se uma mesa com objetos simbólicos, como as imagens sacras de São João, São Pedro e Santo Antônio (apesar de São Marçal ser um dos santos juninos celebrados, como não foi canonizado pela Igreja Católica, sua imagem não é posta na mesa). Como devoto de Nossa Senhora de Fátima (nascido no mês de Fátima e criado em família católica), Val inclui uma imagem de Nossa Senhora na mesa.
A benção, também comemorada com fogos de artifícios, é um momento para mostrar à comunidade os casais que apadrinham o Lendas e Magias. Um casal é formado por Dona Didica, madrinha do Lendas desde sua fundação, acompanhada por um outro padrinho escolhido entre os moradores do Desterro-Centro Histórico. Já o outro casal varia ao longo dos anos, mas há três anos esse casal tem sido André Campos (nascido e criado no Desterro e atual vereador) e Roseana Sarney (conhecida por seu interesse e apoio político no Bumba Meu Boi e atual deputada federal pelo Maranhão).
A escolha dos padrinhos do Boi é de responsabilidade do dono do grupo e marca uma transação “recíproca de obrigações e de poder”. A celebração com os padrinhos outorga àqueles “uma aura de portador da identidade do próprio grupo”. Certamente, “a posição social e o poder aquisitivo ou político dos padrinhos (não apenas por ocupar cargos políticos, mas também pela capacidade de articular relações com as instâncias políticas mais abrangentes)” influenciam nessa escolha (IPHAN, 2011, p.120)
Seguindo as festividades, no mês de junho, auge do ciclo, acontecem as apresentações que variam em quantidade e local, a depender da temporada. O período das apresentações é coroado por dois grandes encontros de grupos de Bumba Meu Boi: a alvorada na Capela de São Pedro, no bairro Madre Deus, no dia 29; e o desfile da Avenida São Marçal, no bairro João Paulo, no dia 30 - lugares festivos conquistados pelos brincantes.
O presidente do Lendas e Magias contextualiza que, atualmente, o batalhão se apresenta em eventos de São João organizados pelo governo do Maranhão, pelo governo de São Luís, em festas organizadas por outros grupos e comunidades e, ainda, em situações particulares como comemoração de aniversários. Com essas apresentações, o Boi recebe cachês e consegue angariar um caixa financeiro para se manter ao longo do ano em todas as etapas e produções envolvidas. Os brincantes não recebem cachê no Lendas e Magias. A diretoria usa uma parte do cachê para pagar o transporte com uso de dois ônibus, o núcleo musical composto por profissionais e uma equipe que faz o apoio logístico do batalhão - várias pessoas dessa equipe são mães responsáveis por crianças e adolescentes integrantes do Lendas.
Fundamental contextualizar que a partir dos anos 1980, no Maranhão, houve uma aproximação do poder público com as brincadeiras em um processo de torná-las produto artístico cultural com, subsequente, apelo turístico. A situação era muito diferente nas décadas anteriores, pois a elite ludovicense não via com bons olhos a valorização da cultura popular. A trajetória do Bumba Meu Boi até 1950 alterna períodos de proibição e permissão da brincadeira. “As portarias e licenças da polícia foram os instrumentos legais através dos quais o trânsito dos bois era regulado e consentido, sobretudo durante o Estado Novo, quando houve cerceamento das liberdades individuais e qualquer agrupamento de pessoas poderia representar uma ameaça à ordem pública” (IPHAN, 2011, p.47 - 48).
Até o Bumba Meu Boi alcançar uma posição de relevância no estado, seus participantes enfrentaram muitos preconceitos e perseguições por parte do governo e das elites dominantes. A mercantilização do Bumba Meu Boi, iniciada nos anos 70 e consolidada nos anos 90, ocorreu concomitantemente a um crescente processo de aproximação das elites. A “luta simbólica” entre os setores dominantes da sociedade e o Bumba-meu-boi reproduz o controle dos mecanismos de dominação sob o julgo cultural (IPHAN, 2011). Durante o governo de Roseana Sarney (1995-1998), os grupos de Bumba Meu Boi foram classificados em categorias (A, B e C) para organizar o pagamento dos cachês das apresentações, baseando-se em sua relevância cultural e tempo de existência. Desde então essa classificação continua vigente.
O Boi Lendas e Magias está entre os 20 batalhões de Bumba Boi de orquestra de São Luís do grupo A, no qual o cachê pago pelo governo do estado é de 7 mil reais por apresentação (Bois do grupo B recebem 6 mil e do grupo C 5 mil). Neste cenário, da proporção do Lendas e Magias, com seus mais de 120 integrantes e grande número de apresentações, o presidente Val menciona que nesses últimos três anos as contas têm ficado no positivo, e também graças à Lei de Incentivo à Cultura.
No ano de 2023, por exemplo, foram 38 apresentações pelo governo do estado e 6 apresentações pelo governo municipal, que sempre costuma contratar um número bem menor de apresentações se comparado ao estado. Entretanto, Val afirma que “nem todo ano é assim, entra governo, sai governo e muda tudo! Tem ano que a gente só pega 10, tem ano que é 15, ano que é 20. E assim vai... já as apresentações particulares não se pagam um valor assim como do estado ou da prefeitura, eles dizem o quanto podem pagar, 2 ou 3 mil, e como já se está na rua com uma apresentação de 7 mil, a gente encaixa essas apresentações particulares para somar um valor maior”. Numa temporada, o batalhão do Lendas e Magias chegou a se apresentar cinco vezes em uma mesma noite.
Todos os fundadores do Boi e da diretoria têm uma fonte oficial de renda. Val e Sandra são funcionários públicos, Luís é proprietário de uma pequena empresa de decoração e Dijé é vendedora ambulante. “Ninguém consegue viver do Boi”, comenta Luís, que, apesar de reconhecer que o Bumba Boi promove ações profissionalizantes para vários de seus integrantes, ainda é uma atividade limitada a alguns meses de trabalho informal, com remuneração não fixada e podendo oscilar de um ano para o outro devido à mudança de governo, sendo também uma manifestação cultural muito dispendiosa de ser realizada.
O ciclo festivo movimenta o Desterro, tanto a partir dos moradores brincantes ou espectadores, quanto pela presença de brincantes e espectadores de outros bairros, que transformam a Praça da Flor do Samba em uma paisagem dançante e colorida por vários meses consecutivos. “O Desterro é apaixonado pelo Lendas e Magias… Hoje, graças a Deus, o Lendas e Magias é muito respeitado pela comunidade”, conclui o presidente Val.
Aguinaldo Barros Filho, integrante do Lendas e Magias há 12 anos, comenta que quando foi chamado para dançar o Boi, no ano de 2010, este era “bem simplesinho e hoje em dia já está bem grande”, devido a “muita lenda e magia, muita garra, muita dedicação, muita emoção”. Morador do bairro Sacavém, Aguinaldo é instrutor de dança, uma paixão da infância, inclusive já tendo trabalhado por mais de oito anos no Desterro com zumba. Foi a dança que levou Aguinaldo a ser brincante no Bumba Meu Boi, se apresentando sempre como vaqueiro campeador. No Desterro, ele comenta: “Me sinto bem. Me sinto em casa. Me sinto acolhido. Me sinto amado. Aqui o público é muito bom. Tem aquele calor humano mesmo”
A rotatividade de novos integrantes é considerável no batalhão do Lendas e Magias. Alguns deixam de ensaiar e se apresentar por motivos de trabalho, estudo ou outras questões, e quando voltam a participar é uma alegria, comenta o presidente Val, como no caso da seletiva de 2024, que contou com alguns inscritos que eram ex-integrantes do Lendas.
Apesar de o batalhão não ter atualmente muitas crianças, dada a dificuldade de se responsabilizar legalmente por elas visto que grande parte dos ensaios e das apresentações oficiais são noturnas, é notável como elas gostam e aprendem rapidamente com essa cultura maranhense. “É importante sempre ter crianças, elas que vão levar isso pra frente. Mesmo que as crianças não saiam no Boi, ficam ouvindo as toadas, vendo as danças e imitando”, afirma o presidente.
Satisfeito com esses 16 anos de existência do Lendas e Magias no Desterro, a diretoria do grupo rememora o trabalho social que o Bumba Meu Boi significa às comunidades maranhenses, fortalecendo laços coletivos e ampliando perspectivas sócio-comunitárias. Val recorda: “No começo a gente ajudou muito jovens que viviam em situação de vulnerabilidade social, como meninas que tinham mãe drogada, pai alcoólatra [...] A gente fez esse trabalho com a Dijé, que já tem esse trabalho com esses jovens, e ela buscou esses jovens, a gente colocou dentro do Boi, e aí foi melhorando a vida deles. Porque a cultura melhora as pessoas. Eles não tinham perspectiva nenhuma, mas quando entram no grupo de Boi, eles começam a se sentir mais valorizados. A gente acolheu esses jovens, então, para a gente, esse é um patrimônio importante”.