O que é?
A Procissão dos Orixás é um evento cultural-religioso promovido pela Federação de Umbanda e Culto Afro-Brasileiro do Maranhão com apoio da Prefeitura de São Luís e integra o calendário oficial das atividades em comemoração ao aniversário da cidade, no dia 8 de setembro. A procissão concentra centenas de pessoas que se deslocam a pé até a Igreja São José do Desterro, onde é realizada a limpeza das escadarias (com água de cheiro e flores brancas) e uma grande roda de congraçamento com todos os presentes ao som dos tambores, cabaças e cantigas do povo de axé, preenchendo assim o Largo (Figura 32).
A procissão se inicia na Avenida Pedro II, em frente à Prefeitura de São Luís, e concentra centenas de pessoas de religiões de matriz afro-indígena-brasileira (Mina, Terecô, Pejelança, Umbanda, Candomblé, entre outras) e simpatizantes. Trajados com indumentárias características dos cultos, o cortejo segue cantando para os voduns, orixás e entidades ao som das caixeiras do Divino e do bloco afro Filhos de Nanã, percorrendo um grande trecho da Rua da Palma até chegar ao Largo do Desterro.
Coordenada pelo vereador e pai de santo Astro de Ogum há mais de duas décadas, o líder religioso ratifica que o ritual é uma forma de realizar a limpeza espiritual da cidade e um movimento de visibilidade aos cultos afro: “Há mais de 50 anos, essa obrigação faz parte da minha vida. O ato da lavagem da escadaria da Igreja do Desterro, uma das mais antigas da cidade, nos permite promover o congraçamento entre os cultos de matriz africana. Neste momento, somos movidos pela fé, pedindo paz, saúde e harmonia aos povos do mundo inteiro” (O Estado do Maranhão, 2019).
“O povo daqui [do Desterro] é muito religioso, então uma procissão dessa é uma religião. E muita gente vai, eu pelo menos vou. No começo, o Astro de Ogum até procurou eu e a De Jesus para ajudar a enfeitar os postes com balão azul e branco e a gente organiza para esperar o pessoal descer”, comenta Sandra Maria Fernandes, que é católica e, assim como tantos outros moradores do Desterro, há muitos anos vai até o Largo acompanhar a essa procissão.
“Este é um evento muito antigo e é importante que finalize aqui na Igreja do Desterro. O pessoal do Desterro recebe bem o povo de axé, tem bastante morador nas calçadas e nas janelas das casas acompanhando”, comenta Maria das Graças Torres. “Mas ainda pode melhorar: olha o estado do Largo para receber toda essa multidão, podia estar melhor cuidado, com mais refletores e limpo”, conclui a matriarca, exibindo para nós e para todo mundo as suas guias, sentada em uma cadeira no Largo, ao lado de outros moradores que prestigiam a roda de tambor em momentos finais da Procissão dos Orixás.