O que é?
Entre os antigos moradores de Tatuí difundiu-se a lenda que Dom Pedro II e sua comitiva visitaram a antiga residência da família Guedes e conheceram as instalações da antiga fábrica de tecido São Martinho, fundada em 1881, durante o reinado do imperador.
Durante seu reinado, que ocorreu de 1831 a 1889, Dom Pedro II realizou diversas viagens no país e no exterior. Ao percorrer as províncias do vasto território brasileiro, o monarca buscava “demonstrar a ligação direta do trono com o seu povo e com a terra que governava” (Rezzutti, 2019, p. 181).
As viagens também tinham como propósito conhecer melhor as características socioeconômicas, culturais e os elementos da fauna e flora do território; impulsionar a realização de projetos de infraestrutura para fomentar o progresso do país e fortalecer a imagem do imperador como símbolo de uma nação ainda em processo de formação.
As viagens de Dom Pedro II pelo Brasil e por diversos países foram uma das principais características do seu reinado. Segundo Schwartz (1998), o “imperador itinerante” gostava de conversar com as pessoas comuns, visitar fábricas, escolas, hospitais, igrejas, conventos, prisões e demais instituições públicas. Também gostava de conhecer as obras de infraestrutura e de visitar empresas do setor de serviços (telegrafia, saneamento, energia e transporte), reforçando o seu papel de gestor eficiente e seus anseios em transformar o Brasil em um país moderno.
Ao longo do seu reinado, Dom Pedro II viajou pelas províncias do Norte e Nordeste, Sul e Sudeste conhecendo áreas urbanas e rurais. Além de visitar a capital paulista, o monarca visitou as cidades litorâneas de Santos, São Vicente e Cubatão. No interior paulista, “o imperador e sua comitiva visitaram Cotia, São Roque, Sorocaba, São João de Ipanema, Porto Feliz, Itu, Indaiatuba, Campinas e Jundiaí” (Rezzutti, 2019, p. 188), sendo que algumas delas foram visitadas pelo monarca por diversas vezes como é o caso de Itu, Sorocaba e a fábrica de ferro São João de Ipanema, geograficamente próxima a Tatuí.
As visitas de Dom Pedro II na região suscitam até hoje boatos de que o monarca tinha contatos frequentes com a família Guedes, proprietários da Fábrica de Tecidos São Martinho, e que teria feito visitas à fábrica e à residência da família Guedes. Porém, não há registros oficiais de que estas visitas realmente ocorreram. Em geral, as visitas oficiais eram registradas pelos jornais de época e no próprio diário de viagens de Dom Pedro II, não constando registros sobre as suas visitas ao casarão.
Durante as viagens, Dom Pedro e sua comitiva costumavam se hospedar nas residências mais imponentes das famílias mais abastadas das localidades por onde passava. Por se tratar de um fato histórico importante para muitos municípios, os locais visitados pela comitiva e as casas onde Dom Pedro e outros membros da família real se hospedaram tornam-se referências históricas para o município e, em muitos casos, viram atrativos turísticos, sendo alvo de interesse e curiosidade de turistas e visitantes.
A falta de registros históricos oficiais da passagem de Dom Pedro II pelo casarão da família Guedes torna essa história uma narrativa fictícia transmitida oralmente de geração em geração que busca evidenciar a relevância histórica da fábrica de Tecidos São Martinho e a importância política da família Guedes durante o Brasil Império, período em que a fábrica se consolidava como uma das mais importantes indústrias têxteis do país.