Boato da visita de Getúlio Vargas ao casarão da família Guedes e a Fábrica
Onde está?
Casarão da Família Guedes
O que é?
A visita de Getúlio Vargas a Tatuí, com passagem pela antiga fábrica de tecido São Martinho e ao casarão da família Guedes, é um boato ou lenda que circula na cidade de Tatuí. Segundo relatos de moradores, Getúlio Vargas, que governou o país em diferentes períodos (1930-1945 e 1951-1954), teria visitado a cidade de Tatuí e o casarão da família Guedes de forma inesperada, sem que tenha avisado as autoridades locais.
Essa história configura-se como um boato ou lenda que, de acordo com Renard (2007, p. 97-98), pode ser considerado uma “[...] informação não verificada ou uma informação falsa. Outros boatos tomam a forma de uma narrativa, de uma pequena história [...]. São estes boatos narrativos que se chamam lendas”. Essa visita lendária de Getúlio Vargas a Tatuí costuma ser envolta em mistérios e especulações, com diferentes versões sobre os motivos da visita à cidade e às atividades realizadas durante sua estadia. Alguns habitantes afirmam ter ouvido relatos de familiares sobre o acontecimento, enquanto outros consideram a história como uma simples lenda urbana.
Getúlio Vargas possui uma inegável importância por ter impulsionado o desenvolvimento industrial no país e pela criação das leis trabalhistas. Como Tatuí era uma cidade de grande relevância industrial durante a Era Vargas, com mais de uma centena de estabelecimentos fabris, as organizações sindicais de algumas delas, como as do ramo têxtil, eram muito atuantes como a Associação Profissional dos Trabalhadores da Indústria de Fiação e Tecelagem de Tatuí, criada em 1935. Durante a Era Vargas, os sindicatos passaram a ter uma função mais assistencialista com a oferta de “assistência jurídica, assistência médica, entre outros benefícios para os sindicatos que estivessem atrelados ao Estado” (Souza, 2018). O governo buscava regulamentar e exercer uma forma de controle da atividade sindical com o intuito de evitar e solucionar eventuais conflitos entre empregados e patrões (Romita, 1999).
O governo de Getúlio Vargas caracterizou-se por um forte apelo populista. Por ter sido responsável pela criação das leis trabalhistas e pela regulamentação dos sindicatos de cunho assistencialista, o presidente era considerado um líder carismático. Para Skidmore (1982), o estadista era reverenciado como uma figura paterna e uma parcela significativa da população demonstrava confiança e afeto pelo presidente que, de certo modo, personificava o Estado. Por meio dessa política populista, Vargas buscou se aproximar do povo consolidando sua imagem como o benfeitor dos trabalhadores, porém, mantendo o apoio e a confiança da burguesia industrial pelo fomento à industrialização durante a vigência do seu mandato.
Para muitos trabalhadores, Getúlio era reconhecido como “pai dos pobres e protetor dos trabalhadores”, reforçando o mito de um estado paternalista e protetor da classe trabalhadora e do seu líder como um governante preocupado com o bem estar da população (Boito Junior, 2003).
O carisma conquistado por Getúlio entre a classe trabalhadora, incluindo os operários da fábrica de tecido São Martinho, pode ser evidenciado nas contribuições da classe trabalhadora para a confecção do busto de Getúlio Vargas, situado na praça Manoel Guedes; e nas homenagens ao ex-presidente durante as comemorações do Primeiro de Maio. Essa admiração pode ter alimentado a imaginação popular acerca de uma suposta visita do presidente à Tatuí e às dependências do casarão. No entanto, não há registros oficiais ou documentos que comprovem a veracidade dessa história.
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