Camisa do Esporte Clube São Martinho
Onde está?
Estádio José Rubens do Amaral Lincoln - Esporte Clube São Martinho. Rua Capitão Lisboa, 282-390 - Centro, Tatuí - SP.
O que é?
A camisa do Esporte Clube São Martinho é um objeto de moda símbolo dos jogadores e torcedores do clube. Junto de outros objetos como os troféus, a camisa faz parte da experiênica de torcer pelo São Martinho como uma linguagem de identificação e pertencimento ao coletivo do clube. A camisa está totalmente ligada na leitura e compreensão do torcer, das maneiras de reagir ao jogo de futebol e todas suas emoções relacionadas. Rasgar, contorcer-se, amassar, bater no peito e tirar a camisa são todas ações relacionadas por meio desse objeto a demonstrar as emoções ligadas com a prática social e memórias do futebol.
Além de uniforme: o amor à camisa e o torcedor
A camisa de futebol revela mais que somente um adorno para a prática futebolística e suporte para a exposição de símbolos do time e de patrocinadores, sendo produtora e produto de relações culturais entre os torcedores. Como afirma Toledo (2019), as camisas de futebol vão além de vestir corpos e identificar torcedores e jogadores. E mais além, a camisa é mais que uma identidade entre torcedor e algum coletivo.
Vestir uma camisa de futebol implica - além de gestos, maneirismos e relações de solidariedade entre os membros de um coletivo - um encontro com o outro semelhante, a busca desse outro e também estabelece relações de uns contra outros (relações de adversários e rivais). A camisa como objeto de referência cultural remete à ação de torcer, e portanto como um vínculo entre moda e social, evidencia a subjetividade que há em pertencer, envolver-se e torcer para um time de futebol.
Como uma segunda pele, é um objeto com força agentiva no sentido que permite que o torcedor possa produzir relações de interação com outros indivíduos e coletivos e assim, mais que simplesmente uniformizar um time para permitir a prática do futebol, camisas servem como representação material “de algo maior ou exterior aos próprios corpos que as vestem e aí tal associação ou moda representaria algum coletivo que identificamos classificatoriamente por um time, um time representando uma cidade, ou um time representando todo um país ou um continente” (Toledo, 2019, p. 40).
Um ponto que esse objeto remete é sua ênfase na corporalidade. A camisa está totalmente ligada na leitura e compreensão do torcer, das maneiras de reagir a um jogo de futebol e todas suas emoções relacionadas. Rasgar, contorcer-se, amassar, bater no peito e tirar a camisa são todas ações relacionadas por meio desse objeto a demonstrar as emoções ligadas com a prática social do esporte. Isso para Toledo (2010) mostra que a clareza do futebol diz respeito não só aos que jogam, mas também com aqueles que assistem, e isso passa necessariamente por uma adesão corpórea fora do campo, e aqui o uso da camisa é essencial. Citando novamente Toledo (2010, p. 180):
Pensar a corporalidade do torcer ou, de outro modo, pensar o jogo pela leitura gestual e teatral que cada torcedor faz numa ou sobre uma partida é se colocar no âmago daquilo que define a beleza plástica do futebol, o conjunto quase ilimitado de suas técnicas corporais que produzem o enredo do jogo
A camisa de futebol pode-se considerar como linguagem além dos quatro cantos do campo, as conversas, comemorações e palavrões presentes no campo, - como uma linguagem corporal do torcer. Esse objeto de moda “distribui a pessoa” dentro de um estádio, um lugar dentro de um universo com outras centenas de indivíduos articulados pela arte do futebol, com camisetas, troféus, bolas e outros objetos expressando esse lugar e suas relações de pertencimento e memória, “pois há algo de nós nesses objetos, há algo dos objetos agenciados em nós” (Toledo, 2010, p. 182)
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