O que é?
Entre os anos de 1995 e 2000, o antigo casarão da família Guedes e a fábrica de tecido São Martinho, foram utilizados esporadicamente para a realização de festas que serviam como uma forma de entretenimento para a população local. O casarão foi utilizado para o uso residencial pelos proprietários da fábrica até o final dos anos 80. Desde os anos 1990, quando a fábrica faliu, o casarão e os galpões fabris deixaram de ser utilizados e entraram em estado de abandono, fato que justifica o mau estado de conservação dessas edificações.
No decorrer dos anos 1990, o casarão e a fábrica passaram a ser locais de realização de algumas festas organizadas pela agência Fábrica de Eventos e, por isso, tornaram-se locais simbolicamente representativos para os antigos frequentadores desses eventos, por estreitar os laços de sociabilidade entre as pessoas, ao serem locais de encontro, lazer, entretenimento e diversão.
Segundo Guarinello (2001, p. 972), “A festa é uma produção do cotidiano, uma ação coletiva, que se dá num tempo e lugar definido e especial, implicando a concentração de afetos e emoções (...), e cujo produto principal é a simbolização da unidade dos participantes na esfera de uma determinada identidade. Festa é um ponto de confluência das ações sociais cujo fim é a própria reunião ativa de seus participantes”. São, portanto, um importante lócus de sociabilidade oferecendo uma pausa na rotina do trabalho.
Segundo Jorge Rizek, antigo proprietário da empresa Fábrica de Eventos, “ocorreram três festas em cada um desses lugares e uma virada cultural na fábrica. As festas ocorriam das 22h às 4h e a virada ocorreu em dois dias, aos finais de semana”. Os imóveis eram alugados para tais finalidades e entregues limpos e em ordem após o evento, afirma Rizek.
As festas não implicam apenas na presença de um número determinado de pessoas em certo lugar. Pressupõem também a participação ativa do público visando a “[...] superação das distâncias entre os indivíduos; a produção de um estado de efervescência coletiva; e a transgressão das normas coletivas” (Durkhein, 1968 apud Amaral, 1998, p. 14). Sua relevância social e cultural fortalece o sentimento de identidade e pertencimento do groupo, além de suscitar memórias individuais e coletivas em torno dos espaços onde ocorrem e de seus elementos característicos como as músicas, danças, comidas e bebidas, rituais entre outros aspectos que lhes são característicos.
Nas festas ocorridas no casarão e na fábrica tocava-se música eletrônica, portanto, os tipos de músicas e as danças eram os principais fatores de atração das pessoas, porém, os locais em que ocorriam aumentavam a atratividade dos eventos, por seus aspectos diferenciais e por já serem considerados locais de referência simbólica para muitos moradores da cidade.
Segundo Di Meo (2001, p. 1-2), “A festa possui com efeito a capacidade de produzir símbolos territoriais cujo uso social se prolonga bem além de sua duração. Essa simbólica festiva une e qualifica lugares [..]”, que se tornam referências à memória e à identidade daqueles que frequentavam esses espaços nos momentos festivos. Portanto, o antigo casarão da família Guedes e as instalações da São Martinho são também espaços de referência para a população local por avivar memórias e histórias da comunidade em torno dos fatos e acontecimentos ocorridos nas festas celebradas nos imóveis.