Indicação
Onde está?
Fábrica São Martinho
O que é?
A indicação era uma das formas de acesso ao emprego nas indústrias no Brasil. Os empregados indicavam familiares, amigos ou parentes. Segundo Paoli (1992, p. 27), na maioria das fábricas têxteis do estado de São Paulo, “o recrutamento da mão-de-obra era feito familiarmente, a partir de uma pessoa que se tornava operário e acabava trazendo toda a família”.
Segundo Lima (1996, p. 139), as fábricas de modo geral, independente de seu grau de modernidade, utilizaram o recrutamento por meio de indicação de parentes e amigos de seus próprios trabalhadores, constituindo o “grosso” dos operários adquiridos (Lautier, 1993 apud Lima, 1996, p. 139).
Dessa forma, as indicações são processos inseridos dentro da proletarização de famílias, “através do assalariamento de todos os seus membros válidos” (PAOLI, 1992, p. 26), assalariamento esse necessário para a sobrevivência da família. A indicação, principalmente por meio da família, se deu “como conjunto econômico e cultural ativo, tão ativo que chega a apagar a individualização da compra e venda da força de trabalho com que se espera que o capitalismo opere.” (PAOLI, 1992, p. 30).
Para o operário, a indicação também funciona como elemento de pressão sobre o indicado em termos de disciplina no trabalho e obrigações com o colega que o indicou, configurando-se, assim, uma rede intrincada de sociabilidade e obrigações mútuas na fábrica (Lima, 1996).
Dentre os entrevistados e participantes da Oficina Participativa realizada em novembro de 2023, Cristina cita diretamente a indicação de familiares para o trabalho na São Martinho:
“era assim: a gente fazia 14 anos, tirava carteira de trabalho e começava a trabalhar, porque a irmã que tava lá [trabalhando na Fábrica] já colocava a outra [...] nós quatro [irmãs], o primeiro emprego foi na Fábrica [São Martinho]” - Maria Cristina.
Muitos outros citaram pais, irmãos e outros parentes que trabalhavam na fábrica, muito provavelmente consequência de indicações:
“minha mãe é tecelã, minha tia é tecelã, meu tio [...], meu pai [...]” - Jair, também ex-funcionário da São Martinho; “Quando eu nasci, minha mãe já era tecelã [...] meu avô materno trabalhava nas caldeiras” - Lúcia Helena, também ex-funcionária da São Martinho.
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