Lenda da noiva
Onde está?
Casarão da família Guedes. R. Nhônhô da Botica, 229-311 - Centro, Tatuí.
O que é?
O casarão da família Guedes é comumente considerado mal assombrado por muitos moradores de Tatuí. O imóvel figura como cenário principal de algumas lendas urbanas como a lenda da noiva. Segundo relatos da população local, a imagem de uma mulher vestida de noiva costuma aparecer durante as noites na parte superior do sobrado ou no telhado, levando muitas pessoas a se assustarem com a aparição.
As lendas urbanas fazem parte do imaginário popular e são transmitidas oralmente, em geral, por meio de conversas informais entre os membros de uma comunidade. Segundo Dion (2008, p. 3), “a lenda (...) é uma narrativa, uma fabulação que revela uma certa subjetividade tendo por pano de fundo fatos reais, históricos e de elementos reveladores do fantástico, do sobrenatural e do extraordinário”.
As lendas urbanas abrangem temas variados, como acontecimentos sobrenaturais e macabros; eventos estranhos, inexplicáveis e assustadores; além de histórias e personagens fictícios que podem ou não ser baseadas em fatos reais. As lendas exprimem os mistérios, os medos, os anseios e as preocupações de uma determinada comunidade, despertando a imaginação e estimulando a criatividade. Podem ser contadas de diferentes maneiras e em situações diversas, como festas, conversas entre amigos, encontros familiares entre outras ocasiões.
As lendas são elementos representativos da cultura imaterial de determinado grupo social e possuem um papel importante na transmissão de valores, crenças e tradições ao longo das gerações. As tradições e expressões orais como as lendas podem ser consideradas como Patrimônios Imateriais de uma comunidade (UNESCO, 2003). Portanto, são saberes socialmente compartilhados que representam as suas tradições culturais e tornam-se referências identitárias para a sociedade.
As lendas de assombração figuram entre as mais comuns e mais conhecidas. Muitas delas estão associadas à aparição de fantasmas e eventos sobrenaturais em casarões antigos, a maior parte deles, abandonados e em mau estado de conservação, como é o caso do casarão que pertenceu à família Guedes localizado em frente à antiga Fábrica de Tecido São Martinho.
Segundo relatos de Eduardo Guedes, suas tias afirmavam que uma das filhas do segundo casamento de Manoel Guedes caiu da escada do casarão, porém, não se feriu gravemente. Tempos depois a comunidade passou a difundir a lenda de que essa mulher havia morrido no imóvel e o seu espírito circulava por suas dependências vestido de noiva. Carlos Eduardo (Cadu), residente da vila operária da fábrica São Martinho, relatou que as crianças procuravam não olhar para a parte de cima do imóvel com medo de ver a mulher vestida de branco que o assombrava e que costumava ser avistada nas janelas do piso superior do casarão.
Quando pequeno, Cadu e outras crianças entravam no porão da casa para brincar, mas tinham medo da assombração da noiva. Segundo relatos de ex-funcionários do casarão e de membros da comunidade, o vulto da mulher costumava aparecer no mês de maio, considerado o mês das noivas.
Voltar para o topo