Sede do Esporte Clube São Martinho
Onde está?
Estádio José Rubens do Amaral Lincoln - Esporte Clube São Martinho. Rua Capitão Lisboa, 282-390 - Centro, Tatuí - SP.
O que é?
O Esporte Clube São Martinho é um clube de futebol fundado em 31 de maio de 1939 e com sede no estádio Doutor José Rubens do Amaral Lincoln. O São Martinho surgiu com as peladas dos operários da Fábrica Têxtil São Martinho, no final da década de 1930, que ao fim da jornada de trabalho, reuniam-se onde ficava o antigo lenheiro da fábrica. E assim surgiu o Esporte Clube Camelo, que logo passou a se chamar Esporte Clube São Martinho. Lazer do operariado aos domingos, os trabalhadores da fábrica construíram o clube. Logo, é parte central da história da identidade de famílias que vivenciaram o auge da fábrica São Martinho, e sendo um clube construído por estes operários e suas famílias.
A história do clube está totalmente atrelada com a fábrica São Martinho. Conforme Oswaldo Laranjeira Filho, ex-jogador e que fez parte da direção do clube em vários momentos do clube, o São Martinho não nasceu na Rua Capitão Lisboa, mas atrás, do lado oeste do Clube São Martinho, há um terreno hoje murado que funciona o Centro de Orientação e Serviços a Comunidade (COSC) que na época chamava-se Camelo, o campo do Camelo. O nome origina da topografia da aŕea pois havia no terreno acidentado uma saliência como se fosse a corcova de um camelo (VOZ DA SAUDADE, 2023).
Em 1939, a fábrica era de propriedade de Dario Freire Meirelles e com o aumento de popularidade do clube, Dario passou a se tornar um benemérito do clube, com a doação de um campo, no perímetro da propriedade da Fábrica Têxtil São Martinho. Como afirma José Norbal, ex-jogador e também membro constante da direção do clube, “aquele início do século XX, não havia muito alternativas de lazer e o futebol já era uma passion entre os brasileiros” e complementa que a doação do campo foi verbal e que “não havia naturalmente desmembramento, não havia uma escritura de cessão ao Esporte Clube”.
A partir de 1978 inicia-se o episódio de luta de posse do campo de futebol - evento que está mais detalhado na ficha “Saberes da luta do futebol” -, quando a família Chammas, grupo proprietário da fábrica na época, decide tomar de volta o campo e o clube do operariado. Com a pressão, a diretoria quase toda saiu ficando somente em quatro figuras importantes nesse evento: Nicolau Sinisgalli Sobrinho, presidente do clube; José “Pilico” Roberto Pires de Campos, diretor de patrimônio; Oswaldo Laranjeira Filho, primeiro-secretário; e José Norbal Moraes Marques, diretor esportivo. Com o auxílio do Doutor José Rubens do Amaral Lincoln, advogado e com família de Tatuí e ligada ao clube especialmente seu pai, que já havia sido secretário do clube, Lincoln sabia que como um clube operário, os recursos eram limitados, e aceitou mesmo assim realizar a defesa do clube caso algo acontecesse.
Quando surgiu o problema, que fecharam arbitrariamente a entrada do estádio, o Laranjeira me procurou. Eu quis dizer que não poderia tomar providência naquele momento e aí ele procurou outros advogados e nenhum advogado queria aceitar a causa, porque achava, suponho, que seria uma luta contra uma empresa tão forte como era a Companhia São Martinho, não sei que nome tinha na época. Então aí o Laranjeira voltou e insistiu comigo e eu aceitei lutar para desobstruir. E aí eu mandei assim, falei que a primeira providência é arrebentar o cadeado todo aí, porque é uma legítima defesa da posse. Eu entendi assim, né? Independente de qualquer providência judicial, arranque o cadeado aí e deixa entrar. Aí se eles, se eles eu digo o lado contrário, entender que isso está errado, que vão à justiça. Vamos inverter os papéis. Nós não vamos à Justiça. Eles que vão aí porque eles que agiram errado.
Eu fiz aquilo a pedido do Laranjeira. Primeiro porque eu, meu pai foi secretário do Esporte Clube de São Martinho por mais de dez anos. Não sei se foi presidente também ou não há mais de dez anos, meu pai, em seguida. Meu pai era um funcionário graduado da antiga Fábrica São Martinho, não é? Então, por todas essas razões, porque meu pai era um amante do Esporte Clube São Martinho, deu grande parte de sua vida para o Esporte Clube São Martinho. Eu também, quando criança, acompanhando meu pai, tinha todo apreço pelo Esporte São Martinho e assistir aos jogos. E por uma série de razões, eu aceitei (JOSÉ RUBENS DO AMARAL LINCOLN, VOZ DA SAUDADE, 2023).
Depois de muitos cadeados quebrados, a situação só seria resolvida no tempo do judiciário, e como recorda Norbal:
Eu me lembro que a minha a minha prancheta ficava bem próximo de uma janela que dava para Rua Coronel Orelhano de Camargo, próximo da Praça do Barão. E em um dia, final de dia, eu tava lá sentado na minha prancheta, absorvido ali pelos meus desenhos, me lembro hoje, figura Saulo dos Reis, presidente então do Esporte Clube São Martinho, senhor de idade já, histórico também no clube encostou na janela para dizer para mim o seguinte:
“Vim trazer uma boa notícia para você. Nós acabamos de ganhar na justiça em última instância aquele processo de posse definitiva do nosso campo. A escritura vai ser lavrada, não temos mais com que nos preocupar.”
Foi o final feliz que a gente imaginava, final feliz.
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